Segunda-feira, Dezembro 20, 2010

Cortes

Cortaram minha carne e das veias verteu sentimento
Um filete de desesperança escorreu pelo rosto cansado
E nas mãos o que restou do toque de que me privaram

Cortaram meus olhos e deles escorreram sonhos
Uma cor púrpura inundou as cavidades agora ocas
E nos pés o ardor dos caminhos que não me deixaram seguir

Cortaram minha língua e dos lábios caíram rosas
Um som gutural se fez ouvir, vindo de dentro do peito
E na minha sombra a dor se acorrentou

Cortaram meus desejos e dentro deles eu morri
Ela se foi para sempre, sem nunca ter vindo
E na minha alma o amor se transformou em algo ruim



3 verberações:

Carolina Mancini disse...

Forte. Cheio de imagens.
Deu pra sentir os cortes na própria carne.
Um bela mistura de realidade e imaginário.
Me parece a perda de um sonho bom de sonhar.

Tânia Souza disse...

Aos olhos de quem chora, na dor não existe beleza, mas para o artista, a emoção de um sentimento vivo é sempre é preciosa. Tua sensibilidade é rara, trouxeste a mão sentimentos e versos dilacerados de um coração que desperta, do sonho para a realidade...

Nine disse...

O amor se tornou algo ruim...
Triste.
mas belo.